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LANXESS Company - Brazil 22/09/2021 18:30

Peste Suína Africana no continente americano, é hora de intensificar o controle de barreiras.

Conhecendo o inimigo

A Peste Suína Africana (PSA) é uma doença infecciosa reemergente que acomete os suínos domésticos e selvagens, de notificação da OIE e com graves consequências econômicas associadas a perdas de produção, limitações comerciais e programas de erradicação.

Este patógeno é um grande vírus de DNA envelopado da família Asfarviridae, levando à uma doença contagiosa, hemorrágica e mortal. A morbidade e mortalidade em suínos podem chegar a 100% em poucos dias, enquanto o mesmo pode persistir por muito tempo no meio ambiente e em uma variedade de produtos suínos.

O vírus da PSA pode ser transmitido por contato direto com animais infectados, sejam suínos domésticos ou selvagens, contato indireto por fômites contaminados, carne crua de animais infectados ou por artrópodes vetores (carrapatos do gênero Ornithodoros). O vírus é muito estável e bastante resistente a altas temperaturas, necessitando de 60° C por 20 min para inativação. Na natureza, os animais mortos são a principal fonte de infecção, pois o vírus permanece viável mesmo durante o processo de decomposição.

Como não há vacina eficaz disponível para PSA, a quarentena e o descarte são as únicas alternativas para granjas com diagnóstico positivo para PSA. No caso da introdução de PSA em uma granja, a detecção precoce e a eliminação da fonte infecciosa são medidas cruciais para evitar que o vírus se espalhe para outras propriedades.

Esta doença foi observada desde o início de 1900 no sul e no leste da África. Na década de 1960, o vírus da PSA atingiu a Península Ibérica (Portugal e Espanha), permanecendo endêmico até a década de 1990 na Europa Ocidental. Na década de 1970, o vírus foi detectado em suínos domésticos em alguns países da América Latina (Cuba, Brasil, República Dominicana e Haiti), mas os surtos foram contidos rapidamente e a doença, erradicada. Em 2007, a doença foi identificada na Geórgia (Eurásia) e o vírus se espalhou para a Rússia, Bielo-Rússia e Ucrânia. Em 2014, a PSA chegou à Europa (Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia); em 2016, Moldávia; e, em 2017, na República Tcheca e a Romênia. Em setembro de 2018, o vírus da PSA foi detectado em suínos de subsistência na China e na Romênia e em javalis na Bélgica. Nestes surtos, a fonte de infecção não foi identificada. A PSA está presente em mais de 50 países, incluindo a República Dominicana; A notificação de julho de 2021 é o primeiro registro da doença nas Américas desde a década de 1980.

Acredita-se que a disseminação global se deva em grande parte à ração animal com produtos suínos contaminados que entraram em cada região por meio de portos marítimos e aéreos internacionais. Após o estabelecimento em rebanhos domésticos de suínos, os suínos infectados e seus produtos tornaram-se as principais fontes de infecção. Os javalis carregam e espalham o vírus, que pode se espalhar para granjas de suínos. Além disso, os humanos, sem querer, espalham esse vírus por grandes distâncias, atingindo regiões que ainda não foram infectadas.

Carne e subprodutos da carne, carcaças, secreções e excreções de suínos domésticos ou selvagens infectados com o vírus da PSA são as principais fontes de infecção. O vírus é estável em uma ampla faixa de temperaturas e pH (4 a 10), não é inativado pela refrigeração ou maturação da carne. O vírus pode permanecer infeccioso por 11 dias nas fezes, por meses na medula óssea, por 15 semanas em carnes refrigeradas e congeladas e por 3 a 6 meses em linguiças e presuntos curados ou defumados.

 

A Biosseguridade avançada como principal estratégia contra a PSA

Levando em consideração todas as informações anteriores, prevenir a propagação da doença é uma alta prioridade. Por não existir tratamento ou vacinação eficazes, os elementos de biosseguridade operacional são a única alternativa viável para a prevenção, biocontenção e erradicação da doença, uma vez que os processos de limpeza e desinfecção são as ferramentas que podem quebrar a cadeia de infecção do vírus. Uma vez estabelecido isso, é necessário considerar os seguintes pontos como críticos em biossegurança:

  1. Rotina de entrada e saída de pessoas
  2. Movimento de pessoas dentro da granja
  3. Presença de barreiras físicas que impeçam o acesso de fauna nociva
  4. Vacinação e programas de medicação estratégicos e emergentes
  5. Controle de pragas
  6. Limpeza e Desinfecção

É de extrema importância aderir a estratégias bem planejadas, procedimentos corretos, treinamento constante de pessoal e equipamentos adequados para cada necessidade. Durante o planejamento, é vital considerar os veículos como pontos críticos para a disseminação de doenças. Para o qual os programas de limpeza e desinfecção de veículos e o uso adequado de arcos de desinfecção e rodolúvios devem ser implementados corretamente e com os produtos adequados para cada processo.

Nesse processo é fundamental utilizar os fundamentos da limpeza e desinfecção como Limpeza a seco, Limpeza com detergente alcalino, secagem e Desinfecção.

Um dos aspectos mais importantes da biosseguridade é entender e empregar linhas de separação entre áreas limpas e sujas. Isso deve ser implementado em todo o sistema de produção, por exemplo, entre a área de carregamento e o transporte dos animais, entre a parte suja e limpa do sistema Dinamarquês ou entre o piso e a cabine de um veículo de entrega. Todas as linhas de separação relevantes devem ser identificadas e procedimentos corretos estabelecidos e aplicados para alcançar essa separação. O princípio básico do sistema Dinamarquês deve ser usado em diferentes áreas, tais como: chuveiros, entrada e saída dos galpões, movimentação de animais, etc.

No entanto, nenhum dos procedimentos planejados anteriormente será útil sem o treinamento constante da equipe, portanto, o estabelecimento de programas de melhoria contínua com a equipe da granja determina o sucesso ou o fracasso da biossegurança.

Clique aqui e tenha mais informações sobre nosso programa de Biosseguridade.

 

 

Dra. Gisele Ravagnani

Médica Veterinária, Gerente Técnico Marketing LATAM Sul e Central

Dr. Moises Rodriguez

Médico Veterinário e Zootecnista, Gerente Técnico Marketing LATAM Norte

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

BROWN, V. R.; BEVINS, S. N. Possibility of subsequent stablishment in Feral Swine and Native Thicks. Frontiers in Veterinary Science, 2018.

FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations - African Swine Fever threatens people´s Republic of China. Animal Health Risk Analysys, Assessment n. 05 - 2018

GAVA, D.; ZANELLA, J. R. C.; CARON, L.; SCHAEFER, R.; SILVA, V. S. EMBRAOA -  Nota técnica Peste Suína Africana., 2018. https://www.embrapa.br/suinos-e-aves/psa

Amass SF et al. Evaluating the efficacy of boot baths in biosecurity protocols. J Swine Health Prod 2000

Amass SF et al. Evaluation of the efficacy of a peroxygen compound, Virkon™ S, as a boot-bath disinfectant. J Swine Health Prod 2001

 

 

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